segunda-feira, 11 de abril de 2016

A efêmera prosperidade dos ímpios: uma leitura devocional do Salmo 73


Ser cristão de verdade não é nada fácil. Mesmo que conheçamos e presenciemos o poder de Deus agindo na história, às vezes nos sentimos impotentes diante de tanta injustiça sendo planejada e executada no mundo. No meio dito “evangélico”, então, quanta apostasia! Quanto desprezo pelas escrituras e pelo sacrifício vicário de Jesus! E as igrejas dos heresiarcas de plantão parecem inchar. Sua mercancia de almas parece ir de vento em popa!

Mas a “boa nova” não nos deixa confundidos: o Deus de Israel está no controle! Não importa o quanto os ímpios prosperem. Pouco se dá a quantidade de escravos que façam, quantos discos vendam, quanto poder acumulem. Deus fará todos esses castelos de cartas irem ao chão! É a mensagem animadora que nos é transmitida pelo Salmo 73.

Asafe, o compositor usado pelo Senhor para elaborar essa melodia instrutiva e reconfortante, nos leva a uma reflexão pertinente acerca de três aspectos. São eles os comportamentos do servo frustrado com a prosperidade ímpia, dos rebeldes insolentes, com seu sentimento de autossuficiência e deboche contra o Altíssimo, e do Deus Soberano, inabalável diante desse quadro, a destruir o conselho dos néscios e a fortalecer os seus escolhidos.

Sim, podemos sentir um pouco de “inveja” do sucesso deles (v. 3), afinal de contas, eles têm “mais do que o coração podia desejar” (v. 7), “prosperam no mundo” e “aumentam em riquezas” (v. 12), graças principalmente à falta de conhecimento pleno da Palavra de Deus. E é inevitável o nosso acabrunhamento nessa hora. Parece que tudo é em vão, que nos dispomos apenas de uma canequinha para retirar água de nossa canoa furada, enquanto eles navegam sobranceiros em seus transatlânticos de poder e dinheiro, a zombar de nós e do Verbo Encarnado.

Mas é nessa hora que nós entramos no santuário do Pai das Luzes, e “atentamos para o fim deles” (v. 17). Aleluia! O medo desses sacerdotes da mentira é justamente a sentença do Justo Juiz, que não tarda. Mesmo que arrotem bazófia e boçalidade, por dentro eles ficam “totalmente consumidos de terrores” (v. 19), pois o próprio Deus os expõe ao ridículo, desprezando a aparência deles (v. 20), colocando-os em lugares escorregadios e lançando-os em destruição (v. 18). E nós, mesmo na nossa evidente fragilidade, embrutecidos, com nossos corações azedados por tanta injustiça (vv. 21-22) somos sustentados por Sua destra, guiados por Seu conselho e recebidos na Sua Glória (vv. 23-24)!

Não há como não se lembrar, ao ler essa verdadeira ode à soberania de Jeová, da arguta e solene advertência de Saulo de Tarso às igrejas da Galácia, que à época sucumbiam à tentação judaizante: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso tambem ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espirito ceifará a vida eterna” (Gl 6:7-8).

Por isso, jamais nos deixemos intimidar pelos camorristas da fé. Sigamos o testemunho de valentes como os nossos irmãos que, na última quinta-feira, “contramarcharam” para Jesus e foram agredidos pelos gorilas dos Corleones saduceus. O FIM (com maiúsculas mesmo) deles é iminente. E que garante é Aquele que operou o maior dos milagres: a nossa salvação.

Fonte: Genizah, por Thiago Lima Barros

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